Fazendo uma analise forense deste caso leva-nos a refletir sobre o seguinte:
1 - A figura do desaparecimento de pessoas encontra-se previsto no ordenamento jurídico português, tendo o legislador decidido consequências para tal acontecimento. No Código Civil para efeitos de presunção de morte temos a seguinte definição: “tem-se como falecida a pessoa cujo cadáver não foi encontrado ou reconhecido, quando o desaparecimento se tiver dado em circunstâncias que não permitam duvidar da morte dela".
2 - Encontram-se previstas no ordenamento jurídico consequências patrimoniais para o desaparecimento de uma pessoa. Nos termos do nº 1 do Art. 89º do Código civil, o acto de ausência sem notícias e prolongado “sem que dele se saiba parte” é relevado para efeitos de se providenciar pela gestão dos bens da pessoa, face ao facto de não ter sido deixado qualquer representante legal ou procurador.
3 - A figura de desaparecimento de pessoas verifica-se mesmo a nível de Direito Internacional vinculativo para Portugal, a Directiva Europeia 2001/C – 283/01, emitida pelo Conselho Europeu em 09 de Outubro, considerando crianças desaparecidas as que encetam fuga, as crianças raptadas por terceiros e as crianças desaparecidas de forma inexplicável.
4 - O desaparecimento por si só não se encontra previsto no ordenamento jurídico português como configurando um tipo de ilícito penal.
Subjacentes aos desaparecimentos podem estar situações que configuram a prática de vários crimes, como o de homicídio, o de rapto ou o de sequestro, matérias de competência reservada de investigação da PJ.
5 - Um desaparecimento pode também ter como origem motivações puramente pessoais de pessoas maiores de idade ou ainda surgir pela desorientação de um idoso com capacidades diminuídas, de alguém portador de anomalia psíquica, da ausência de jovens de casa dos seus pais ou de Instituição de Acolhimento, ou de crianças que por várias razões acabam por fugir da esfera de protecção dos seus progenitores.
6 - A primeira fase do modelo de investigação de pessoas desaparecidas é composta pela, 1) comunicação do desaparecimento à PJ através da qual será levada a cabo a respectiva avaliação de risco, 2) a avaliação do risco do desaparecimento, permitindo uma classificação do nível de risco do desaparecimento, possibilitando-se uma decisão sobre as medidas imediatas e urgentes a serem desenvolvidas, 3) a inquirição imediata do participante, de forma a serem obtidas informações pormenorizadas da ocorrência.
7 - Uma ferramenta importante para a ciência forense nestes casos é a autópsia psicológica. Neste caso a autópsia psicológica irá percorrer o ultimo mês de vida deste casal para perceber e avaliar todos os riscos que possam ter existido e que possam ter implicações ou não para este desaparecimento. Iremos abordar este tema da autópsia psicológica noutro post.
sábado, 26 de setembro de 2015
Polícia sem rasto de casal desaparecido
Fazendo uma analise forense deste caso leva-nos a refletir sobre o seguinte:
1 - A figura do desaparecimento de pessoas encontra-se previsto no ordenamento jurídico português, tendo o legislador decidido consequências para tal acontecimento. No Código Civil para efeitos de presunção de morte temos a seguinte definição: “tem-se como falecida a pessoa cujo cadáver não foi encontrado ou reconhecido, quando o desaparecimento se tiver dado em circunstâncias que não permitam duvidar da morte dela".
2 - Encontram-se previstas no ordenamento jurídico consequências patrimoniais para o desaparecimento de uma pessoa. Nos termos do nº 1 do Art. 89º do Código civil, o acto de ausência sem notícias e prolongado “sem que dele se saiba parte” é relevado para efeitos de se providenciar pela gestão dos bens da pessoa, face ao facto de não ter sido deixado qualquer representante legal ou procurador.
3 - A figura de desaparecimento de pessoas verifica-se mesmo a nível de Direito Internacional vinculativo para Portugal, a Directiva Europeia 2001/C – 283/01, emitida pelo Conselho Europeu em 09 de Outubro, considerando crianças desaparecidas as que encetam fuga, as crianças raptadas por terceiros e as crianças desaparecidas de forma inexplicável.
4 - O desaparecimento por si só não se encontra previsto no ordenamento jurídico português como configurando um tipo de ilícito penal.
Subjacentes aos desaparecimentos podem estar situações que configuram a prática de vários crimes, como o de homicídio, o de rapto ou o de sequestro, matérias de competência reservada de investigação da PJ.
5 - Um desaparecimento pode também ter como origem motivações puramente pessoais de pessoas maiores de idade ou ainda surgir pela desorientação de um idoso com capacidades diminuídas, de alguém portador de anomalia psíquica, da ausência de jovens de casa dos seus pais ou de Instituição de Acolhimento, ou de crianças que por várias razões acabam por fugir da esfera de protecção dos seus progenitores.
6 - A primeira fase do modelo de investigação de pessoas desaparecidas é composta pela, 1) comunicação do desaparecimento à PJ através da qual será levada a cabo a respectiva avaliação de risco, 2) a avaliação do risco do desaparecimento, permitindo uma classificação do nível de risco do desaparecimento, possibilitando-se uma decisão sobre as medidas imediatas e urgentes a serem desenvolvidas, 3) a inquirição imediata do participante, de forma a serem obtidas informações pormenorizadas da ocorrência.
7 - Uma ferramenta importante para a ciência forense nestes casos é a autópsia psicológica. Neste caso a autópsia psicológica irá percorrer o ultimo mês de vida deste casal para perceber e avaliar todos os riscos que possam ter existido e que possam ter implicações ou não para este desaparecimento. Iremos abordar este tema da autópsia psicológica noutro post.
quarta-feira, 22 de julho de 2015
Enfermagem Forense no Brasil
Parabéns à Associação Brasileira de Enfermagem Forense pelo trabalho que tem desenvolvido para implementar a enfermagem forense no seu país. Mesmo lutando contra aqueles que querem impedir o desenvolvimento do trabalho forense e que por questões mesquinhas e de fama, poder e protagonismo, fazem de tudo para que não se torne realidade. A Abeforense deve continuar a lutar porque obstáculos existirão sempre, mas a capacidade de resiliência irá dar os seus frutos, e aqueles que de forma baixa tentam difamar tudo e todos devem olhar-se ao espelho, e pensar afinal o que são.
domingo, 28 de junho de 2015
DIAGNOSTICO DIFERENCIAL ENTRE FERIDAS VITAIS E PÓS MORTEM
Feridas Pós Mortem:
Acidentais: Feridas agónicas (feridas produzidas durante a manipulação do cadáver; feridas produzidas por acções mecânicas; feridas produzidas por animais)
Intencionais – Ferida de origem médica; feridas de origem criminosa
Peritagem:
1. Estudo macroscópico – Sinais especiais: processo trombótico ou embólico; aspiração (sangue, conteúdo gástrico, corpos estranhos).
- Sinais gerais: Feridas vitais (lábios das feridas engrossados; bordos retraídos)
- Pós Mortem: ausência de sangue coagulado; lábios feridos brancos
- Hemorragia: é possível a ocorrência de hemorragia em ferimentos produzidos após a morte, até com um volume considerável; podem ocorrer hemorragias espontâneas pós mortem por factores autoliticos.
- Coagulação do sangue: a coagulação pode manter-se até 6 horas após a morte.
2. Estudo Microscópio – Diagnostico histológico por reacções celulares à resposta inflamatória. O elemento melhor para a distinção é a microscopia electrónica, no entanto a microscopia é sensível aos fenómenos autoliticos e putrefactivos
3. Estudo Histoquimico – Estudo das enzimas que intervêm no processo inflamatório
Factores que influenciam resposta inflamatória:
1. Factores Locais
2. Factores Sistémicos (idade, sexo)
3. Factores exógenos (drogas)
Lesões Intencionais –
1. Lesões Auto infligidas
2. Abuso de direitos humanos
3. Abuso sexual
4. Agressão
5. Lesões Médicas
1. Lesões Auto Infligidas -
• Frequentemente não são fatais.
• Auto-destruição
• Alterações Mentais
• Perspectiva de Lucro
• Devem ser diferenciadas umas das outras e de lesões de natureza acidental ou de etiologia homicida
• Algumas vezes a distinção pode ser difícil ou até mesmo impossível
Lesões sem fins suicidas:
Indivíduos com patologia psiquiátrica que mutilam o próprio corpo
Indivíduos com objectivos de obtenção de lucro
Indivíduos que pretendem simular agressão.
Síndrome de Murchausen
Suspeitar:
1. Lesões superficiais
2. Lesões que não atingem áreas sensíveis (face)
3. Lesões regulares (profundidade igual na origem e no final)
4. Zonas mais frequentes: tórax, ombros e face
5. Lesões múltiplas e pancadas maiores das lesões localizadas à esquerda em dextros
O Diagnóstico Baseia-se em:
• Características da lesão (contusões, feridas, etc.)
• Localização da lesão
• Acessibilidade da zona onde se situa a lesão
• Fisiopatologia e mecanismo lesivo
• Análise de indícios
Achados Típicos:
Simulação de Ofensa -
1. Instrumentos pontiagudos ou unhas
2. Multiplicidade das lesões
3. Ausência de lesões de defesa
4. Cortes na roupa não coincidem com os cortes no corpo
5. Cortes do lado contrário da sua lateralidade dominante (dextro – lado esquerdo)
6. Lesões superficiais, paralelas com a mesma profundidade
7. Zonas não sensíveis
8. Forma semelhante
9. Agrupadas e/ou paralelas ou cruzadas
10. Simetria ou preferência pelo lado dominante
Fraude de Seguros -
Danos resultam normalmente mutilações com perda substância de um segmento periférico
Nos casos típicos o polegar ou o indicador é amputado proximalmente em ângulo recto em relação ao seu eixo
Circunstâncias que apontam para tentativa de fraude
Seguro anormalmente aumentado, feito pouco tempo antes
Múltiplos contratos de seguro de acidentes prévios
Ausência de testemunhos
Desaparecimento imediato da parte amputada e remoção de vestígios biológicos do local
Feridas Defesa -
Indicam que a vitima estava, pelo menos no início consciente.
Indica que a vitima estava pelo menos inicialmente não imobilizada, ou capaz de usar os membros para se proteger das lesões, verificando-se antebraço e mãos.
A vítima não foi apanhada completamente de surpresa
Podem resultar de murros e pontapés ou agressões com objectos contundentes ou cortantes.
Equimoses, escoriações, fracturas e feridas incisas.
Podem ser infligidas nas coxas quando dirigidas aos genitais
Lesões Passivas: desferidas quando a vitima levanta os braços
Lesões Activas: quando a vitima agarra a faca com a mão (face interna das mãos
Lesões Suicidas:
Intoxicação
Trauma Físico
Trauma Físico:
Feridas perfurantes e cortantes
Arma de fogo e explosivos
Precipitação
Afogamento
Queimaduras
Enforcamento; estrangulamento
Electrocussão
Lesões rodoviárias e trucidações (recolher depoimento de testemunhas e do maquinista)
Feridas Arma Branca:
Os ferimentos suicidas produzidos por facas tem locais de eleição: pescoço, pulsos e face anterior do tórax. Homem: degolação e facadas no tórax; Mulher: cortes no pulso.
Ferimentos suicidas são normalmente múltiplos.
Degolação Suicida:
Uma ou duas feridas incisas ou várias feridas de ensaio. Uma ou duas feridas incisas mais profundas, sobrepostas que podem interpor-se nos trajectos dos ferimentos anteriores.
A morte depende da natureza e extensão dos danos locais no pescoço.
Causas de Morte:
Morte por hemorragias severas - artéria carótida e veia jugular (menos frequentes)
Morte por intromissão de sangue e coágulos nas vias aéreas.
Morte por embolismo gasoso (raro)
Morte por causas não relacionadas.
Corte nos pulsos:
Método suicida pouco eficaz quando isolado
Localizações mais frequentes: nas regas de flexura
Pode haver feridas de ensaio mas os ferimentos profundos normalmente não as apresentam
Pulso esquerdo é o alvo mais frequente
A presença de feridas de ensaio não exclui a etiologia homicida
Facadas:
Lesões suicidas no tórax são quase sempre devidas a facadas
Mais frequentes no lado esquerdo, podem localizar-se ao longo do esterno ou mesmo do lado direito
Normalmente o ferimento é único, mas ferimentos múltiplos não são raros
Facadas no pescoço são pouco comuns, como meio suicida, mas há casos descritos
Normalmente estes ferimentos são raros no abdómen, a evisceração geralmente está presente quando se trata de indivíduos com patologia psiquiátrica grave
No suicídio habitualmente as roupas são afastadas expondo a área atingida, mas as excepções são comuns.
Suicídio por Armas de Fogo:
As mulheres raramente usam este meio (tiro em mulher até prova em contrario é homicídio)
A arma deve estar sempre presente
A distância do disparo não pode ser superior ao comprimento do braço, dependendo da natureza da arma e excluindo alguns dispositivos aplicados à arma
Locais de eleição: têmporas, pescoço, boca tórax
Raramente nos olhos ou abdómen
Disparos em locais anatomicamente inacessíveis não podem ser suicidas
Não é verdade que o disparo na cabeça seja sempre do lado dominante do individuo.
EXAME PERICIAL DE DOCUMENTOS
Definição de documento – qualquer material que contem marcas, símbolos ou sinais, visíveis ou invisíveis.
Normalmente em suporte de papel:
• Madeira
• Pedra
• Parede
• Qualquer suporte possível de escrever mensagens
Exame pericial 2 níveis:
• Escrita (manual, máquina ou impressora)
• Materiais (papel, tintas)
A escrita é um processo universal de comunicação, transportável e conservável. A escrita é uma competência percetual neuro-motora. A escrita é individual, como tal, pode ser um elemento discriminatório.
O processo de aprendizagem começa:
• Controle adequado do instrumento gráfico
• Desenho de linhas quebradas e curvas (ensinar meninos a desenhar sobre linhas curvas, para coordenação de movimentos)
• Desenho das letras
• Desenho das conexões (ligação entre letras)
• Escrever palavras
É importante usar 2 linhas (cadernos) porque é importante perceber a dimensão a proporcionalidade, a inclinação, o espaçamento. A escrita começa por ser um processo consciente e transforma-se progressivamente num processo automático. A escrita quando entre num processo automático torna-se individualizante.
Durante o processo de aprendizagem são enviadas mensagens do SNC, para criar um programa motor que é uma estrutura de memória abstrata, contendo códigos capazes de ser transformados em padrões de movimento. Os padrões produzidos a partir de um determinado programa têm perfil invariável.
Aprendemos todos da mesma maneira de acordo com o alfabeto oficial. Ao longo do processo de aprendizagem a escrita vai-se modificando num processo que é individual.
Personalização de escrita –
Uma escrita é uma combinação de 2 tipos de características:
• Características de classe (situam um individuo dentro de um grupo, aqueles que são ensinados)
• Características individuais (conduzem à personalização e são específicos do individuo)
• A base da identificação geográfica são as características pessoais ou individuais como competência neuro-motora a escrita é independente do órgão escrevente, é dotada de variação.
• Qualquer alteração cerebral que ocorra altera a escrita, o que é alterado não é a génese das letras.
Mesmo sem qualquer fator patológico, dentro de um texto pode existir diversas alterações. Vários fatores podem afetar: naturais (suporte, caneta) e patológicos (doenças neurológicas).
Para ser identificável a escrita deve ser: personalizada, legível, ser conhecida e a extensão da variação natural.
Quantas mais letras a assinatura tiver mais fácil se torna a identificação. A identificação gráfica obedece aos seguintes princípios:
1. Não há 2 pessoas que escrevam exatamente da mesma forma
2. Nenhuma pessoa escreve da mesma maneira duas vezes
3. A significância de uma característica como evidencia ou não de identidade advém da raridade dessa característica da velocidade da sua execução e da sua semelhança ou diferença com a mesma característica na escrita de comparação.
4. É praticamente impossível identificar o autor de uma escrita imitada se esse autor não deixar nela traços da sua própria escrita.
A identificação faz-se por exame comparativo:
• Da escrita cujo autor é conhecido com a escrita que se pretende identificar.
Metodologia científica:
1. Identificação do problema (quem escreveu o documento)
2. São colhidas evidências que permitam a formulação de uma hipótese (recolha de escrita de comparação do possível autor A)
3. Formular a hipótese (o documento foi escrito pela pessoa A)
4. Testar a hipótese (exame comparativo entre os hábitos gráficos da escrita da pessoa A e da escrita do documento). Exame comparativo letra a letra, estudo das conexões, tipo de conexão em ângulo, em curva, se existe levantamento da caneta.
5. A hipótese é apoiada, rejeitada ou modificada (a pessoa A escreveu ou não o documento C)
Além da metodologia científica, usa-se o raciocínio lógico.
• Há um número de semelhanças significativas nos hábitos gráficos entre a escrita do autor A e a escrita C
• Este número é muito superior ao que seria de esperar ocorrer por mera coincidência entre as duas escritas
• Não há diferenças inexplicáveis
• Não há outra explicação razoável para estas semelhanças
Nos exames de identificação de escrita o grau de segurança de juízos formulados pelos peritos, não é susceptivel de tradução em termos matemáticos de probabilidade:
• Probabilidade próxima da certeza científica
• Muitíssimo provável
• Muito provável
• Provável
• Pode ter sido
• Não é possível formular conclusão
A comparação deve ser feita com a mesma dimensão, com a mesma caneta, mesmo suporte, temporalmente da mesma altura. Assinaturas da mesma altura porque vão variando ao longo dos anos.
Falsificações –
Falsificar uma escrita implica:
• Descartar-se dos seus próprios hábitos gráficos e ao mesmo tempo assumir os hábitos de oura pessoa.
Métodos de falsificação:
• Livre (não é feita qualquer tentativa de imitação da escrita de outrem)
• Simulação (tentativa de cópia de escrita)
Simulação:
• De memória (treino da assinatura diversas vezes)
• Servil (copiar letra a letra)
• Decalque (copiar por cima): papel químico (vestígios de papel químico), linhas guia (faz a lápis e depois escreve por cima e apaga), sulcos (assinar por cima da marca que fica no papel).
É muito difícil identificar o autor da falsificação.
Problemas no exame pericial –
• Veracidade da escrita: texto e assinaturas
• Autoria de escrita: texto e assinaturas
• Datação
• Sequência de escrita
• Alterações de documentos
• Tintas
• Papel
• Carimbos
A recolha de assinaturas deve ser feita em folhas separadas. Verificar as letras repetidas na mesma assinatura, para comparação.
DEPENDÊNCIA DE JOGOS ELECTRÓNICOS
• A dependência de jogos eletrónicos foi classificada em 2013 como uma doença mental.
• Hospital de Santa Maria apresenta a 1ª consulta
• Sintomas de privação psicológica
• Núcleo de intervenção problemática da internet
• DSM, dependência de jogos online
• Tratamento através de psicoterapia
• Jogos que são feitos para promover a adição
Sinais de alerta:
• Alterações dos padrões de sono: deitam-se cada vez mais tarde, dormem menos horas e acordam sempre com sono
• Absentismo e redução do desempenho escolar
• Irritabilidade, ansiedade ou tristeza quando não estão a jogar
• Perda de interesse por outras atividades
• Perda da perceção do tempo quando estão jogar.
Conselhos aos pais:
• Informar-se sobre os jogos e as respetivas classificações etárias
• Definir tempos para o jogo e não aceitar o típico “só mais 5 minutos”.
• Promover atividade fora do computador: hobbies, desportos, encontros com amigos e outro tipo de atividades que potenciam a sociabilidade.
• Não fazer de tablets e consolas “ama” dos miúdos: promover as conversas à mesa em vez de entregar o aparelho para que não façam barulho.
Cibertecnologia e violência sexual:
A indústria da pornografia ao longo do tempo tem vindo a investir nos sistemas de comunicação e nos meios de comunicação social para distribuir os produtos e para produção. O crescimento em massa e o sucesso comercial do cyberporno é um desenvolvimento recente na industria pornográfica. O uso aditivo de pornografia na internet é diagnosticado como uma variante da patologia da sexualidade.
Existe uma preocupação particular expressa sobre as representações visuais de violação real ou simulada. Gosset (2002) investigou as representações da violação nos sites de internet. Os sites de internet referem de forma convencional que as mulheres são vítimas de abuso. A pornografia acentua ainda mais essa submissão da mulher ao homem.
A pornografia infantil na internet apresenta diversas formas: imagens, desenhos animados, vídeo, ficheiros de som e histórias. Os pedófilos estavam relativamente isolados, mas agora com as comunidades virtuais com controlo externo mínimo, nasceu um fenómeno referenciado como “ciberpedocriminalidade” (Webb, 2007). As complexidades de definir “pornografia infantil”, cria um problema e um foco singular em material ilegal, que ignora como proteger os inocentes.
A literatura feminista identifica a violação como uma “arma terrorista” (Vogelman, 1990), mas a cultura contemporânea refere críticas aquilo que chamam “guerra da pornografia” (Baydeilland,2005). A associação da pornografia com “sexualidade patológica” em contexto não sexual, incluiu objeção erótica de sofrimento humano tal como genocídio (Dean, 2003).
Videogames e violência sexual:
Os jogos de vídeo começaram o aumento de qualidade gráfica, incorporando imagens violentos e perturbantes (Kierkegaard, 2011). Em 2007 a indústria de jogos gerou mais de 26,5 biliões de dólares, de venda em todo o mundo (Dines, 2010). Em 1980 o jogo “Custer´s revenge” foi descrito como pornográfico, porque apresentar violação de mulheres americanas nativos, como entretimento competitivo.
Os exemplos externos conhecimentos como “erógenos”, representam fantasias sexuais, incluindo violação violenta e pedofilia “síndrome Lolita”, envolvendo remoção de roupa de raparigas pré adolescentes através do corte de roupa por faca. O jogo “177” permite violar raparigas adolescentes (Donovan, 2010). Numerosos jogos de vídeo alegadamente contendo material sexual explicito estão disponíveis no Japão, mas a lei da pornografia infantil não se aplica. Vários jogos de vídeos com acesso fácil, contem violência sexual contra mulheres.
Um exemplo que recentemente foi revisto é o jogo “Tomb Raider”, que coloca a personagem principal como sobrevivente de abuso sexual. Tentativa de violação e homicídio, torna a Lara Croft vulnerável e a necessitar de proteção de jogador masculino (Penny, 2012). Outro jogo eletrónico “Grand Thief Auto”, incluiu violência, violação e criminalidade. Neste jogo existe um segundo denominado “Hot cofee”, quando desbloqueado, permite sexo entre dois personagens, os jogadores controlam movimentos e posições sexuais. No jogo “GTA Vite City”, as personagens masculinas obtêm dinheiro “matando” prostitutas (Collins, 2008). Muitos jogos contem componentes que podem constituir comportamentos criminais, incluindo tortura, violência e canibalismo. A violação é possível no jogo “Phantasmagorica”, o incesto está implicativo no jogo “House of the dead overkill”. O jogo “Battle Raper”, permite abuso sexual de mulheres.
Beck (2012) sugere que os recentes desenvolvimentos das tecnologias dos jogos eletrónicos levaram a uma representação cada vez maior da realidade, com mundos virtuais e ao aumento da interatividade com o jogo e com os jogadores.
Dependencia de internet e jogos
Caracteristicas do uso excessivo de jogos:
1. Saliência: quando o jogo se torna a atividade mais importante da vida do individuo, dominando os sus pensamentos (saliência cognitiva) e comportamentos (saliência comportamental).
2. Modificação de humor/euforia
3. Tolerancia: necessidade de jogar por períodos cada vez maiores para atingir a mesma modificação de humor.
4. Abstinência: estados emocionais e físicos desconfortáveis quando ocorre descontrução ou redução súbita do jogo.
5. Conflito: pode ser entre o jogador e as pessoas próximas, conflitos com outras atividades.
6. Recaída/restabelecimento: tendência de retornar rapidamente ao padrão anterior de jogo excessivo após períodos de abstinência ou controle.
Os estudos indicam que os jovens e adultos que apresentam dependência dos jogos, também apresentam transtornos psiquiátricos (transtornos do humor, ansiedade social e transtornos de personalidade). Os estudos que utilizaram espectroscopia, demonstraram alterações decorrentes de jogos no consumo de oxigénio cerebral em crianças e adultos.
Os autores sugerem que estes achados refletem a inibição neural resultante da atenção exigida nestas atividades.
CRIANÇAS QUEIMADAS
A extensão dos danos provocados por queimadura depende de um número de fatores.
A mortalidade e morbilidade da queimadura está relacionada com a profundidade e extensão da lesão. Existe perda de fluidos e efeitos metabólicos. Queimaduras por líquidos são chamadas de escaldões.
As lesões de escaldão permitem identificar a posição da vítima em relação ao líquido quente. A gravidade dos escaldões depende do tempo de exposição da pele com o liquido quente e a sua temperatura.
A roupa pode evitar o contato direto com o fluido, mas uma vez a roupa ensopada, pode aumentar a duração do contato entre o fluido quente e a superfície corporal. Em muitos casos o contato com liquido quente, momentâneo numa superfície larga cujo o liquido teve contato pode permitir um rápido arrefecimento, a não ser que a temperatura da água seja muito elevada, não existe tempo longo de contato que possa provocar uma grande lesão.
Este fenómeno é importante na investigação do caso, porque pode ou não confirmar a história dos pais, quando dizem que foi acidental.
A história relacionada com a causa é circunstâncias que envolvem as queimaduras é uma parte importante da avaliação.
Perguntas:
• Como ocorreu a queimadura
• Como a criança teve contato com o líquido
• Quanto tempo teve o contato com o líquido
• A pele estava protegida por roupa
• Quem estava com a criança
• Quanto tempo ocorreu entre o evento e a assistência médica
Exame físico:
• Localização
• Dimensão
• Aparência/gravidade
• Forma da queimadura
Características das queimaduras:
• A forma da queimadura é importante porque o padrão pode indicar que tipo de objeto foi usado
• Na imersão forçada as características padrão envolvem as nádegas e os genitais
• Podem estar presentes as marcas das mãos desenhadas na pele
• A gravidade da queimadura está relacionada com a temperatura do líquido, tempo de contato com a pele e fragilidade da pele
• A roupa tende a manter o agente em contato com a pele, por um longo tempo, que pode levar a uma queimadura severa.
• A história fornecida pelo cuidador é importante porque a história do que aconteceu pode avaliar a relação com o padrão da lesão
Características padrão da queimadura:
• Idade aparente da queimadura
• Consistência da distribuição da queimadura com a história
• Sinais de contenção
• Sinais de imersão em líquido quente
• Marca de mão no corpo
• Presença de outras lesões
• Lesões nas zonas de pregas de flexão
• Evidência de maus tratos
• Cicatrizes, má nutrição
Indicações de maus tratos:
• Atraso na assistência médica
• Queimaduras atribuídas a salpicos
• Existência de evidências de acidentes anteriores
• Lesões incompatíveis com a história
• Queimaduras encontradas nas nádegas e região anogenital, joelhos, palmas das mãos e sola dos pés
• Queimaduras com contornos e forma definidos
• Queimaduras uniformes e simétricas
• Queimaduras que são negligentes e infetadas
• Grau de queimadura uniforme
Indicações de acidente:
• A história e o mecanismo são compatíveis com as lesões
• As queimaduras são encontradas na parte da frente do corpo
• Podem ocorrer em locais que refletem a atividade motora da criança, nível de desenvolvimento
• Queimaduras com múltiplos graus e com zonas não queimadas
• Apenas uma parte da pele é danificada
• As queimaduras são assimétricas
A pele da criança é 10 vezes mais suave que a pele do adulto e por isso queimam 40 vezes mais. Em muitos casos o contato com o líquido quente, nomeadamente numa superfície larga cujo líquido teve contato pode permitir um rápido arrefecimento a não ser que a temperatura da água seja elevada, não existe tempo longo de contato que possa provocar uma grande lesão. Este fenômeno pode confirmar ou não a história dos pais.
Temperatura da água
60c – 5 segundos
50c – 3 minutos
48c – 5 minutos
68c – 1 segundo.
quarta-feira, 27 de maio de 2015
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