quarta-feira, 29 de dezembro de 2010


terça-feira, 23 de novembro de 2010

CURSO DE ABORDAGEM DA VITIMA DE ABUSO SEXUAL

No próximo mês de Janeiro de 2011, terá inicio um curso de abordagem da vitima de abuso sexual, que será destinado a enfermeiros. Este curso terá como base o curso realizado nos Estados Unidos (SANE) e pretende dar competência aos enfermeiros na abordagem médico-legal de vitimas de abuso.
Terá a duração de 40h teóricas mais 20h práticas. O curso tem a creditação da IAFN.

Vítimas de violência doméstica continuam a aumentar em Portugal

Há mais dez mortos vítimas de violência doméstica em Portugal este ano do que no mesmo período do ano passado. Lisboa e Setúbal são os distritos com mais casos de violência doméstica registados. Maria José Magalhães, da União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR), detalha à Antena 1 os números relativos às mulheres, os quais considera preocupantes.

PRÉMIO CIENTÍFICO ATRIBUÍDO A ESTUDO REALIZADO NA DELEGAÇÃO DO CENTRO DO INML, IP

No âmbito das 8ªs Jornadas sobre Comportamentos Suicidários, que decorreram no Luso entre 30 de Setembro e 2 de Outubro de 2010, foi distinguido com o prémio de "Melhor Poster" o estudo "Neurotrofinas e suicídio: associação entre o SNF S205L do gene P75NTR e o suicídio no sexo masculino", liderado pela Doutora Alda Ambrósio e tendo como co-autores os Drs Mariana Alves, Andreia Marques, Jerónimo Santa, Beatriz Silva e Duarte Nuno Vieira.

Operação contra pornografia de menores na Internet resulta em 8 arguidos - PJ

Lisboa, 23 nov (Lusa) - Oito homens foram hoje constituídos arguidos numa operação de âmbito nacional de luta contra a pornografia de menores na Internet, anunciou a Polícia Judiciária (PJ).
Nesta operação, realizada hoje através da Diretoria de Lisboa e Vale do Tejo, foram efetuadas, em simultâneo, 10 buscas domiciliárias em diversos locais de norte a sul do país, nas quais participaram também elementos da Diretoria do Porto e da Unidade de Portimão da PJ.
Em comunicado, a PJ refere que "da operação resultou a identificação e a constituição de arguidos de oito indivíduos do sexo masculino, dos quais três, com idades entre os 20 e os 40 anos, foram detidos".

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

FORENSIC NURSING

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MUTILAÇÃO GENITAL FEMININA

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sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Associação Europeia de Enfermeiros Forenses

No passado mês de Outubro foi constituido o Comité da IAFN que irá coordenar a Associação Europeia de Enfermeiros Forenses. Este comité é presidido por Sheilla Early, e tem na sua constituição um enfermeiro do Reino Unido, um enfermeiro da Holanda, uma enfermeira da Bélgica, uma enfermeira da França, uma enfermeira da Suécia, um enfermeiro da Espanha e um enfermeiro de Portugal.
Este grupo de trabalho irá elaborar as guidelines que servirão de orientação para criação de enfermeiros forenses na Europa.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

GNR tem novas equipas com cães para detectar causas de fogos


O Grupo de Intervenção Cinotécnica da GNR conta a partir de hoje com duas equipas, que integram um homem e um cão, treinadas para a deteção das causas dos incêndios e que ajudarão em investigações criminais em todo o país.
Frankie, um labrador, e Lara, uma pastor-alemão, são os novos "agentes caninos" da GNR e estão treinados para detetarem substâncias químicas utilizadas na ignição de incêndios, mesmo após a combustão.
Os dois animais fazem parte das duas novas equipas do Grupo de Intervenção Cinotécnica (GIP) e começam a trabalhar a partir de hoje em todo o país.
Homem e cão foram treinados para detetar agentes incendiários e materiais que tenham sido usados na ignição de combustões, com o objetivo de diminuir o tempo de investigação e utilização de recursos humanos nos casos de incêndios provocados por mão criminosa.
A apresentação das novas equipas, hoje de manhã na Escola Prática da GNR, em Queluz, consistiu em provocar fogo controlado em seis focos, deitar um pouco de gasolina num deles e deixar atuar Frankie e Lara, que pouco tempo depois detetaram a substância utilizada para a ignição.
Segundo o capitão do GIP, Costa Pinto, os dois binómios destinam-se exclusivamente à deteção do indício que deu origem aos incêndios e, embora atuem em incêndios florestais, estas equipas são mais “vocacionadas para os fogos urbanos”.
Estas duas equipas são a última vertente do programa “ferramentas cinotécnicas”, que surgiu em 2007 com o objetivo apoiar a investigação criminal.
Além destas equipas de deteção de causas de incêndios existem 300 binómios em todo o país direcionados para a investigação de vestígios biológicos, cadáveres e restos mortais, deteção de policarbonatos, papel moeda e tintas, e deteção de suspeitos e combate à imigração ilegal.
“Este programa teve início no pós caso Maddie, com a necessidade de deteção de cadáveres e de outros vestígios como o sangue. [As equipas cinotécnicas] detetam vestígios que depois são recolhidos pelos peritos e que indiciam, neste caso, origem criminosa”, garante Costa Pinto.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

II WORKSHOP DE BOTÂNICA FORENSE

Calendário do Curso
26 de Novembro de 2010

Local - Porto

Contactos mjalves@med.up.pt

4º Curso "Abuso de Crianças e Jovens"

Local
Delegação do Centro do Instituto Nacional de Medicina Legal, IP - Coimbra
19 NOV (Sexta)

09h00 – 09h30
Introdução. Teste Diagnóstico.CRISTINA SILVEIRA RIBEIRO

09h30 – 11h00
O abuso na história e suas tipologias.CRISTINA SILVEIRA RIBEIRO

11h30 – 13h00
O que é e o que não é abuso.TERESA MAGALHÃES
20 NOV (Sábado)

09h00 – 11h00
A construção social do abuso.ISABEL DIAS

11h30 – 12h30
O castigo físico.CRISTINA SILVEIRA RIBEIRO

12h30 – 13h00
Epidemiologia do abuso.CRISTINA SILVEIRA RIBEIRO

26 NOV (Sexta)

09h00 – 11h00
Factores de risco de abuso.CARLOS SILVA PEIXOTO

11h30 – 13h00
Indicadores psicológicos do abuso.CARLOS PEIXOTO

27 NOV (Sábado)

Indicadores físicos de abuso I

09h00 – 10h30
Traumatismos cutâneos e tecidos moles.Queimaduras.Traumatismos oro faciais.LILIANA SANTOS

11h00 – 12h00
Traumatismos crânio-encefálicosLILIANA SANTOS

12h00 – 13h00
Traumatismos oculares.Traumatismos torácico e abdominal.NUNO PINTO

03 DEZ (Sexta)

Indicadores físicos de abuso II

09h00 – 10h00
Traumatismos dos membros e da ráquis.PATRÍCIA JARDIM

10h00 – 11h00
Intoxicações.RICARDO DINIS OLIVEIRA

11h30 – 13h00
Indicadores de abuso sexual.PATRÍCIA JARDIM

04 DEZ (Sábado)

09h00 - 11h00
Abuso mortal.AGOSTINHO SANTOS

11h30 – 13h00
Da suspeita ou detecção à sinalização.DIOGO PINTO DA COSTA

10 DEZ (Sexta)

09h00 – 13h00
Da investigação inicial ao diagnóstico I.A avaliação psicológica forense.CATARINA RIBEIRO

11 DEZ (Sábado)

09h00 – 10h45
A intervenção criminal.MARIA JOÃO TABORDA

11h15 – 13h00
A intervenção de protecção.ISABEL VARANDAS

17 DEZ (Sexta)

09h00 – 13h00
Da investigação inicial ao diagnóstico II.Abordagem inicial da vítima e sua avaliação médicolegal.Encerramento.TERESA MAGALHÃES


63rd AAFS ANNUAL SCIENTIFIC MEETING

21a 26 de Fevereiro de 2011, Chicago, EUA

http://www.aafs.org

II CONGRESSO "ACIDENTES RODOVIÁRIOS E ACIDENTES DE TRABALHO: PREVENIR E REPARAR"


18 e 19 de Novembro de 2010, Lisboa

CENCIFOR

No passado dia 17 de Setembro decorreu em Coimbra a escritura de constituição da CENCIFOR - Associação Centro de Ciências Forenses, na qual o INML, IP participa. A CENCIFOR é uma associação sem fins lucrativos que tem por objectivos a promoção, desenvolvimento e divulgação da investigação científica no domínio da Medicina Legal e de outras ciências forenses; a colaboração científica, pedagógica e pericial com outras instituições, públicas e privadas, designadamente a Fundação para a Ciência e tecnologia e o Centro de Ciências Forenses, que é uma unidade de investigação reconhecida pela FCT; a realização de congressos, colóquios, seminários e outras actividades congéneres; a publicação de lições, textos de seminários e outros trabalhos de divulgação e investigação; a realização de perícias e a consultadoria a solicitação de entidades públicas e privadas, ou de particulares; a concessão de bolsas de estudo, subsídios de investigação e prémios científicos, bem como a colaboração com outras entidades, públicas ou privadas, nacionais, estrangeiras ou comunitárias, em trabalhos, estudos ou acções para que seja solicitado ou de que tome a iniciativa.

CIMEIRA DA NATO - 19 E 20 DE NOVEMBRO

Sexta-feira, 19 de Novembro de 2010
Chegadas à Feira Internacional de Lisboa
Reunião de Chefes de Estado e/ou de Governo do CAN
Sessão de abertura da Reunião de Chefes de Estado e/ou de Governo do CAN (Conselho do Atlântico Norte)
- Cobertura mediática em sistema de pool da cerimónia e discursos de introdução
- Cerimónia de homenagem aos Militares ao serviço da OTAN nos teatros de operações da OTAN
- Intervenção de abertura do Secretário-geral
- Boas-vindas do país anfitrião
Fim da cobertura mediática
- Discurso do Presidente da Assembleia Parlamentar da OTAN
Sessão de trabalho do CAN
Fim da sessão de trabalho
Fotografia de família
Conferência de imprensa do Secretário-geral
Jantar de trabalho do CAN
Jantar de trabalho do CAN para Chefes de Estado e/ou de Governo presidido pelo Secretário-geral
Com a participação do Presidente do Conselho da União Europeia
Jantar de trabalho informal dos Ministros dos Negócios Estrangeiros da OTAN e para Altos Representantes da UE, presidido pelo Vice Secretário-geral.
Jantar de trabalho informal dos Ministros da Defesa, presidido pelo Ministro da Defesa de Portugal.

Sábado, 20 de Novembro de 2010
Reunião de Chefes de Estado e/ou de Governo sobre o Afeganistão
Com a participação do Presidente do Afeganistão, do Secretário-geral das Nações Unidas, do Presidente do Conselho da UE, do Presidente da Comissão Europeia, do Presidente do Banco Mundial e do Japão.
Sessão de abertura da Reunião de Chefes de Estado e/ou de Governo sobre o Afeganistão.
- Cobertura mediática em sistema de pool, para os discursos de abertura do Secretário-geral
Fim da cobertura mediática
Sessão de trabalho
Fim da sessão de trabalho
Conferência de Imprensa com o Secretário-geral, com o Presidente Karzai e o Secretário-geral das Nações Unidas Ban Ki Moon
Reunião de Chefes de Estado e/ou de Governo do CAN
Sessão de trabalho dos Chefes de Estado e/ou de Governo do CAN
Com a participação do Presidente do Conselho da UE
Reunião de Chefes de Estado e/ou de Governo do Conselho
Sessão de abertura da reunião de Chefes de Estado e/ou de Governo do Conselho OTAN-Rússia
- Cobertura mediática em sistema de pool, para os discursos de abertura do Secretário-geral
Fim da cobertura mediática
Sessão de trabalho
Fim da Sessão de trabalho
Conferência de Imprensa do Secretário-geral

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

MANUAL DE ENFERMAGEM FORENSE

Em breve será editado o primeiro manual em enfermagem forense escrito em Português. Quem estiver interessado poderá fazer a sua encomenda neste Blog

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

ESTRIPADOR DE LISBOA - Continuação

Os agentes da PJ encontraram marcas no chão dos sapatos do assassino, que terá pisado o sangue da vitima. Os peritos analisaram o tamanho do pé e os vestigios das pegadas e chegaram a algumas conclusões relativamente ao peso e à altura do homicida (individuo com aproximadamente 1,80m e cerca de 90Kg).
Na altura foi tambem descoberto um cabelo no local, supostamente do pretenso criminoso, que permitiu identificar o DNA.
Recorde-se que os testes de DNA tem resultados positivos muito proximos dos 100%, mas apenas com amostra para comparação. Porém, dada a inexistencia de um arquivo com dados deste tipo em Portugal (na altura), não foi possivel à PJ avançar muito quanto à identificação do criminoso.
Há cerca de 15 anos que o estripador desapareceu de circulação, não se tendo registado netse periodo quaisquer crimes com as mesmas caracteristicas. Ninguem sabe o que lhe aconteceu, a começar pela PJ, que ainda não sabe como deslindar o mistério do estripador.

ESTRIPADOR DE LISBOA

O conhecimento destes factos levou muita gente a considerar que o estripador poderia ser um homem infectado (HIV), já que só matava prostitutas e contaminadas, sendo provavelment o mobil a vigança.
Pensou-se ainda ue seria um psicopata, que matava pelo prazer de matar, esventrava as vitimas praticamente da vagina até ao pescoço, arrancando-lhes as entranhas à mão e espalhando-as à volta dos cadaveres. Ninguem sabe o que levava este assassino a agir assim.Uma coisa é certa, não matava por dinheiro.
Nem a colaboração das prostitutas, que denunciaram clientes com comportamentos esquisitos e violentos, permitiu à PJ encontarar o(s) assassino(s). Muitas pessoas forma investigadas, mas não se obtiveram resultados positivos.
Ao longo de todo este processo, a melhor pista encontrada pelas autoridades foi obtida no local em que apareceu o corpo de Maria Fernanda, um barracão desactivado da Direcção Geral de Transportes, situado na Avenida 5 de Outubro, sob a linha férrea de Entrecampos, e que servia para guardar ferramentas.

ESTRIPADOR DE LISBOA


O caso remonta aos anos 1992 e 1993, mais precisamente entre Julho de 1992 e Março de 1993, o assassino brutal de 5 prostitutas lançou o pânico na região de Lisboa e na Margem sul do Tejo.Tratou-se uma investigação dificil, e a PJ em determinada altura poderou a possibilidade de existirem 2 homicidas, devido ao numero de vitimas (5).
Das 5 prostitutas assassinadas, 3 foram atribuidas ao "estripador de Lisboa", atendendo à forma como as vitimas foram mortas (esventradas). Os outros dois crimes registaram-se na Margem Sul do Tejo, com a causa principal da morte a ser o estrangulamento, ainda que as mulheres apresentassem sinais de espancamento e mesmo de tortura (queimaduras).
Maria Valentina (22 anos); Ângela Maria (22), Maria Fernanda (25), Ana Cristina (24) e Maria João (27), as 5 prostitutas assassinadas, tinham em comum o facto de serem toxicodependentes, algumas encontravam-se infectadas (seropositivas), magras, morenas e jovens.

sábado, 7 de agosto de 2010

Morte Súbita do Desportista

Etapas da investigação médico-legal:
1. Informação
a. Reconstituição das circunstâncias – modalidade desportiva, equipamento, intervalo entre a prática desportiva e a morte, condições climáticas (excluir desidratação, golpe de calor ou hipotermia*), testemunhas, traumatismos antes da “queda” ou “colapso”, manobras terapêuticas de reanimação;
b. Antecedentes – história clínica (doenças cardíacas congénitas, diabetes, anemia falciforme), doença recente, medicação em curso, suspeita de consumo de álcool, drogas ou medicamentos, antecedentes familiares (parece haver repetição de morte súbita ao longo das gerações; hipertensão).

2. Observação – Autópsia
a. Hábito externo (vestuário, superfície corporal);
b. Hábito interno (observar bem sistemas nervoso central e cardiovascular) – descrição e colheita de conteúdo gástrico e de outros órgãos ocos.

3. Exames Complementares:
 histopatológicos (cérebro, coração, septo nasal – alterações resultantes de consumo de drogas de inalação);
 toxicológicos no sangue, urina, conteúdo gástrico, órgãos e septo nasal.

São descritos seguidamente, alguns conceitos que foram referidos muito superficialmente durante a aula, mas que ajudam na sua compreensão.

Morte Súbita do Desportista

Morte que ocorre durante ou após uma prova desportiva (até ao dia seguinte), ou fora de competições, relacionada com o treino e preparação do atleta para uma competição.

É importante notar que a actividade física é uma actividade natural, portanto trata-se de uma morte natural e não violenta. Deste modo, não existem implicações médico-legais.
Nestes casos de morte súbita, é necessária uma investigação médico-legal para determinar se existe nexo de causalidade com a prática desportiva ou se se trata de uma morte violenta.
Nos casos de morte natural, é necessário estabelecer se foram cumpridas as normas dos exames médicos de aptidão e avaliação antes da prática desportiva, caso contrário, a responsabilidade recai sobre o médico assistente que declarou que o indivíduo se encontrava em boas condições para a prática desportiva.
Nos casos de morte violenta, é necessária a determinação da etiologia (acidente, suicídio ou homicídio) e estabelecer um nexo de causalidade, que terá implicações no seguro do desportista. A morte consecutiva a dopping é considerada uma morte violenta.
Em função dos achados da autópsia poder-se-ão tomar medidas preventivas ou de segurança em relação a uma dada modalidade desportiva.

sids

Neste Síndroma, ao longo de todo o processo de investigação médico-legal não são encontrados indícios de causa de morte (como maus tratos, asfixia, corpo estranho, etc.), nomeadamente na:
1. investigação do local do óbito (policial)– geralmente a criança é encontrada morta no berço, não havendo sinais de morte violenta ou referência pelos familiares de patologia importante.
2. Informação pelo médico do S.U., Pediatra assistente ou Familiares – criança sem antecedentes de doença ou patologia valorizável.
3. Exame do vestuário – adequado à idade e época do ano, bom estado de higiene, possivelmente com rasgões feitos no acesso à observação na Urgência.
4. Exame da superfície corporal – boa higiene e nutrição, sem sinais de negligência, malformações ou lesões traumáticas.
5. Exame do hábito interno – com abertura de todas as cavidades, observação de todos os órgãos in situ e depois de extraídos, sendo feito exame histológico. Sem lesões traumáticas ou asfixia por corpo estranho (morte violenta), não se podendo valorizar o conteúdo gástrico nas vias aéreas excepto se muito profundo.
6. Exames complementares – pouca fiabilidade dos resultados porque autópsia só é feita 24 horas depois do óbito, havendo contaminação do cadáver e reacções bioquímicas de autólise e putrefacção. Os exames biológicos, toxicológicos e cromossómicos são negativos.
7. Entrevista aos progenitores – realizada pelo patologista que efectuou a autópsia. Progenitores geralmente antecipam-se à convocatória, são colaborantes e têm sentimentos de culpa ou luto. Não há antecedentes relevantes quanto à gravidez, parto, período neo-natal ou agregado doméstico.

É importante suspeitar de outras causas quando ocorre morte súbita na mesma fratria!
Os resultados do exame médico-legal permitem estabelecer o diagnóstico de SMSL e fornecem dados para estudos estatísticos, elaboração de protocolos de investigação e apoio a associações para acompanhar os familiares destas crianças.

Síndroma de Morte Súbita no Lactente (SMSL)


Definida como a morte inesperada de um lactente (menos de 1 ano de idade) que permanece inexplicada depois de um exame autóptico, que inclui investigação do local do óbito e uma revisão dos antecedentes anamnésicos. Trata-se de uma morte de causa indeterminada sendo que, na autópsia, o seu diagnóstico é de exclusão.
É importante excluir outras causas de morte no lactente como asfixia (hemorragias petéquiais nos pulmões, pleuras e epicárdio), malformações congénitas ou “Shaken Baby Syndrome”.

Mais frequente:
 dos 4 aos 6 meses
 sexo masculino
 meses de Inverno

Trata-se de uma morte inesperada, na ausência de patologia conhecida, sendo necessária autópsia para certificação do óbito.

MORTE SÚBITA - CAUSAS

Sistema Cardiovascular
A grande maioria das mortes súbitas são causadas por lesão no sistema cardiovascular, mais frequentemente ao nível do coração.
1. Enfarte Agudo do Miocárdio – por patologia hipertensiva ou aterosclerótica (estenose das coronárias).
2. Hemopericárdio – ao abrir-se o tórax o saco pericárdico tem uma tonalidade azul e sangue coagulado post-mortem; resulta de ruptura do miocárdio pós-enfarte.
3. Hemorragia cerebral – por ruptura de aneurisma da artéria basal (mais frequente em jovens, adultos de meia idade e mulheres antes da menopausa) que pode ser induzida por: traumatismo craniano, etilismo (álcool dilata as artérias cerebrais e aumenta o fluxo de sangue e P.A.) ou aumento da adrenalina (stress aumenta a P.A., ex. sexo).
4. Amolecimento Cerebral Espontâneo
5. Ruptura de aneurisma da aorta (hemoperitoneu ou hemopericárdio)
6. Embolia pulmonar – por TVP, relacionada com fractura, traumatismo tecidular, cirurgia ou imobilização prolongada)
7. Com menos frequência: anomalias congénitas das coronárias, doença cardíaca reumática, estenose aórtica, endocardite bacteriana, alterações do sistema de condução do coração e miocardiopatias.

Sistema Nervoso
1. Tumores
2. Epilepsia
3. Meningite

Sistema Respiratório
1. Asma
2. Pneumotórax
3. Broncopneumonia/Pneumonia (negligenciada pelo doente ou pelo médico)
4. Hemoptise maciça por tuberculose pulmonar ou tumor maligno pulmonar





Sistema Digestivo
1. Hemorragia digestiva – por ruptura de varizes esofágicas ou úlcera gástrica com ruptura vascular.
2. Perfuração de úlcera péptica
3. Trombose mesentérica
4. Megacólon com peritonite
5. Tumor do fígado
6. Cirrose hepática
7. Pancreatite

Sistema Uro-genital
1. Tumores renais
2. Ruptura de gravidez ectópica

Sistema Endócrino
Diabetes Mellitus

Atenção, numa mulher grávida, as causas mais frequentes de morte súbita são:
1. complicações da gravidez como aborto ou ruptura de gravidez ectópica
2. embolia pulmonar
3. ruptura de aneurisma cerebral

No Certificado de Óbito destes doentes deve constar:
 tipo de morte (Natural)
 causa directa (a)
 intermédia (b)
 básica (c)
 causa antecedente originária (d)

Congresso IAFN - Outubro 2010



MORTE SÚBITA



É uma morte de causa natural, sem intervenção de agentes externos, que ocorre de forma rápida, sem ser necessariamente fulminante (desde o início dos sinais ou sintomas até ao momento da morte podem decorrer 12/24 horas), e de forma inesperada por acontecer em indivíduo aparentemente são ou portador de uma doença que não fizesse prever a morte em tão curto espaço de tempo.

Requer intervenção médico-legal para:
 Estabelecer um diagnóstico de causa natural de morte
 Excluir morte violenta, ou seja, situações em que não são aparentes sinais de intervenção de agentes externos (asfixia por sufocação, intoxicações, acção de agente físico como hipotermia/electrocussão, traumatismo por agente contundente*).

Há 3 grandes grupos de Morte Súbita:
 População geral
 Síndroma da Morte Súbita no Lactente (SMLS)
 Morte Súbita no Desportista

MORTE NATURAL


A maioria das mortes podem ser certificadas pelo médico de família do indivíduo ou, no mínimo, por um médico que conheça razoavelmente a história clínica do doente e possa determinar a causa de morte. Apesar deste sistema não ser totalmente satisfatório do ponto de vista da fidelidade dos dados estatísticos, temos que nos “contentar” com ele já que não é possível realizar autópsias a todos os cadáveres.
Infelizmente, sem autópsia, a margem de erro relativamente à causa de morte declarada é grande, mesmo quando a informação clínica de que se dispõe é de qualidade. Apesar de não ser possível afirmar que a autópsia é infalível, especialmente quando a morte não é traumática, os erros são obviamente muito menores que os cometidos na ausência desta.

Na área de Lisboa existem 15 000 óbitos por ano, no entanto, apenas 1 500 são autopsiados. Assim, 13 500 não são submetidos a um processo de investigação médico-legal, uma vez que são óbitos de causa natural.
A Morte Natural é uma morte em que não existe intervenção de agentes externos (mecânicos, biológicos, físicos, químicos ou tóxicos) e consiste em qualquer processo patológico (doença, síndroma, ou estado mórbido) que evolui invariavelmente para a morte (mesmo com tratamento adequado).

9ª Fase – Relatório pericial

Após terminus de todo o processo, deve ser elaborado um relatório pericial, a fim de prosseguir a investigação do caso. O relatório é composto pelos seguintes itens:
o Preâmbulo
o Informação: fornecida por outras fontes (autoridade, médicos), relatada pelo próprio (e/ou acompanhante, consoante a idade ou situação do examinado), historia do evento, antecedentes pessoais e familiares
o Exame do estado actual: avaliação da apresentação, idade aparente, estado de consciência, funções cognitivas (memoria, atenção, concentração), rendimento intelectual, discurso, pensamento, humor, queixas, exame físico completo.
o Exames complementares de diagnostico
o Discussão e conclusões (preliminares ou definitivos)

8ª Fase – Follow up

Após avaliação inicial em regime pericial, e após realização de medidas profilácticas, a vítima deve ser encaminhada para a consulta de follow up. Esta consulta deve ser feita 2 semanas após o evento. Esta consulta tem os seguintes objectivos:
o Verificar a melhoria das lesões (fotografar se indicado)
o Confirmar se a doente cumpre terapêutica
o Colher sangue e obter culturas para avaliar DST
o Teste de gravidez (se indicado)
o Relembrar a vitima acerca das restantes doses da vacina de hepatite B e fazer testes de VIH (3 a 6 meses)
o Avaliar estado emocional e mental da vítima e aconselhar ajuda psicológica

6ª Fase – Antecipação das consequências psicossociais

A vítima deve ser encaminhada para aconselhamento e suporte social. A probabilidade de alterações graves na saúde física e mental são elevadas. Entre as alterações que podem ocorrer, destacamos as seguintes:
o Perturbação de Stress Pós traumático
o Depressão, ansiedade, irritabilidade
o Sentimento de culpa e de vergonha
o Insónia, pesadelo
o Perda de apetite
o Disfunção sexual
o Abuso de substancias, ideação suicida

5ª Fase – Medidas Terapêuticas

Realizar tratamento de lesões físicas (lesões menos graves). Qualquer lesão deve ser limpa e desinfectada e caso seja indicado, deve administrar-se antibioterapia, vacinação contra tétano, analgesia, ansioliticos, sedativos ou hipnóticos.

5ª Fase – Medidas Profilácticas
Existe risco elevado de gravidez e transmissão de doenças sexualmente transmissíveis. Na profilaxia da gravidez, a sua eficácia é evidente até 3-5 dias após o acto sexual. Anticonceptivo oral de emergência “pílula do dia seguinte”, redução de risco de gravidez em 60-90% dos casos. Os efeitos adversos, são essencialmente náuseas e vómitos.
A vítima deve realizar o teste de gravidez 6 semanas após a última menstruação, se teste positivo, legalmente pode interromper a gravidez. Deve realizar-se profilaxia de doenças sexualmente transmissíveis se: o agressor estiver infectado, na presença de sinais de infecção na vítima, follow up duvidoso e desejo da vítima.
A profilaxia terapêutica assenta nas seguintes patologias: gonorreia, sífilis, chlamydia, VIH, VHS, VPH.

4ª Fase – Colheita de amostras biológicas

Realizar colheita de amostras biológicas para doseamento toxicológico e para rastreio de doenças sexualmente transmissíveis. Assim deve-se recolher amostra de sangue para doseamento de: b-HCG, serologias (VHB, VIH, VHC), VDRL, drogas de abuso e álcool.
Amostra de exsudado vaginal para: Neisseria gonorrhoea, Chlamydia Trachomatis e Trichomonas Vaginalis. Se for necessário pode realizar-se exames imagiologicos.
Deve-se fazer ainda recolha de zaragatoa oral, para amostra referencia de DNA. Antes da colheita, deve-se ter em atenção os seguintes aspectos:
o Se a vitima fumou (até 30 minutos antes)
o Se está a mastigar pastilha
o Se utilizou desinfectante oral em spray (até 30 minutos antes)
Se não for possível realizar zaragatoa oral para DNA, deve-se recolher sangue para o efeito, mas deve-se ter em atenção se a vitima fez alguma transfusão sanguínea nos últimos 3 meses (DNA alterado).

3ª Fase – Exame genital e anal

Observar região anal e genital, minuciosamente, podendo recorrer à luz ultra-violeta, corante de toluidina (micro lacerações) e lupa de aumento. Recolha de zaragatoas: anais, vaginais e genitália externa. Seguir o protocolo da recolha de vestígios biológicos. O ideal seria observação e registo fotográfico com colposcópio.

2ª Fase – Exame físico

Observar da cabeça aos pés, tendo especial atenção às zonas escondidas (axilas, couro cabeludo, virilhas, planta dos pés). Observar a boca, principalmente a zona das gengivas (marcas de hematomas e equimoses), pescoço (marcas de constrição, sucção e dentadas), especial atenção aos mamilos, assim como face interna das coxas e braços.

Exame Completo: 1ª Fase – Recolha de roupa

Assegurar uma muda de roupa para a vitima, ou, se esta já tiver mudado roupa, realizar as diligencias necessárias para obter as peças de vestuário usadas quando da agressão. Recolher a roupa da vítima (incluindo roupa interior, sapatos e adereços usados) sobre um lençol.

Exame pericial

A primeira etapa é o consentimento informado. A vitima deve estar ciente em que consiste o exame pericial, e de dar o seu consentimento para a realização do mesmo. O consentimento consiste em autorizar a realização do exame pericial, recolha de fotografia, recolha de vestígios biológicos e envio dos mesmos. A vítima tem o direito de recusar, pelo que o perito deve apenas explicar quais são as implicações da sua recusa. A vítima não pode ser forçada a aceitar a realização do exame pericial.
Deve-se escolher um local com ambiente calmo e reservado, se possível com a colaboração de outro perito ou técnico de saúde, do mesmo sexo da vítima. A entrevista deve ser realizada de forma calma e sem pressões, respeitando os tempos da vítima. A entrevista clínica, deve assentar na história do evento, antecedentes pessoais e familiares. No que diz respeito ao exame do estado actual, este incide nas queixas da vítima, avaliação do funcionamento cognitivo e emocional da vítima, exame geral (superfície corporal), exame dos órgãos genitais e ânus.

Regras para a realização do exame objectivo:
o Deve ser usado vestuário de protecção para evitar contaminação das amostras a recolher (touca, luvas, bata).
o Todos os passos do exame devem ser cuidadosamente explicados à vítima e carecem de autorização prévia
o O exame objectivo deve ser realizado na presença de uma terceira pessoas (enfermeiro, acompanhante)
o Se possível, as lesões encontradas, devem ser fotografadas (consentimento)
Atendimento tardio (a partir das 72h após abuso sexual)

a) Explicar os riscos de gravidez e de DST, e que neste momento, não há eficácia comprovada dos ARV
b) Fazer teste rápido de gravidez, se existir suspeita de gravidez. Se o teste for positivo, encaminhar ao serviço social (protocolo de interrupção voluntaria)
c) Solicitar consulta médica de ginecologia, na presença de sinais importantes de infecção
d) Acolher familiares e realizar orientações descritas no atendimento imediato.

Regime Ambulatório em consulta externa (após uma semana do atendimento inicial)

a) Investigar sintomas de intolerância aos ARV, e orientar sobre a alimentação adequada e à não ingestão dos medicamentos em jejum.
b) Adequar horário da ingestão dos ARV, de acordo com a rotina, para melhorar a adesão ao tratamento.
c) Investigar o uso de medicamentos que interagem com os ARV
d) Reforçar sinais e sintomas de infecção genitourinária
e) Solicitar consulta imediata se existirem sinais de infecção
f) Reforçar a necessidade do uso do preservativo
g) Informar sobre a rotina das consultas externas

Intervenções de enfermagem de acordo com o tipo de atendimento.

Atendimento na ocorrência imediata (até 72h após o abuso sexual):

a) Explicar os riscos de gravidez; infecção por DST e HIV, assim como meios de prevenção disponíveis.
b) Entrevista em ambiente adequado e isolado
c) Preparar para consulta médica, exame físico e ginecológico com possível recolha de vestígios forenses.
d) Informar a equipa médica, sobre os dados relevantes recolhidos durante a consulta de enfermagem.
e) Explicar sobre os medicamentos prescritos, a sua indicação, posologia e duração de tratamento.
f) Orientar sobre a recolha de sangue, para serologias de HIV, sífilis e hepatite.
g) Colheita de sangue e administração de medicamentos profilácticos.
h) Encaminhar a vítima ao banho e fornecer roupa para troca, se a vitima desejar.
i) Explicar que na ocorrência de vómito até 2h, após a ingestão de ARV, deverá repetir a dose do medicamento.
j) Orientar a vítima para os sintomas de intolerância aos ARV, prescritos.
k) Ensino para minimizar náuseas e vómitos
l) Orientar hiper hidratação oral e alimentação adequada, para minimizar efeitos colaterais dos ARV (nefropatia, anemia, hepatopatia)
m) Explicar a importância do uso do preservativo, durante um período de 6 meses, pelo risco de transmissão de DST, e como método contraceptivo
n) Orientar cuidados com as feridas (se apresentar lesões)
o) Orientar a observação de sintomas e manifestações clínicas de infecções genitourinárias.
p) Acolher e orientar familiares e/ou acompanhantes com o objectivo, de que os mesmos proporcionem apoio emocional à vitima.
q) Fornecer saco de papel para colocar a roupa. Dar indicação de que deve despir-se em cima de um lençol e descalçada. Entregar a roupa ao perito.
r) Encaminhar a vítima para a assistente social e apoio psicológico.
s) Orientar para acompanhamento em consulta externa

Vestigios

Antes da colheita de vestígios/amostras biológicas a vitima deve evitar:
o Comer, beber ou fumar
o Urinar ou defecar. Se não for possível evitar, deve recolher-se amostras em recipientes adequados
o Lavar o corpo (incluindo mãos, boca, órgãos genitais)
o Mudar de roupa ou deitar fora roupa, usada durante a agressão
o Pentear-se ou escovar-se
o Alterar o local físico onde decorreu o abuso

ETAPAS

Recomenda-se desenvolver as etapas do processo de abordagem da seguinte forma:
1. Por meio de entrevista, recolher os seguintes dados: identificação pessoal (idade, afinidade populacional, religião); antecedentes ginecológicos e obstétricos; relato do ocorrido e identificação do risco de exposição a doenças sexualmente transmissíveis (DST) e gravidez.
2. Em regime ambulatório, deve-se questionar o uso correcto dos anti retrovirais; sintomas de intolerância ou de intoxicação dos ARV; sinais e sintomas de infecção urinária e de gravidez; investigação dos aspectos emocionais, sociais e sexuais; apoiar a família ou pessoa significativa.

Deve-se evitar questões sobre a violência sofrida e/ou sobre a decisão de interrupção legal da gravidez (caso seja vontade da mulher). A entrevista deve ser realizada, utilizando linguagem clara, com perguntas objectivas, respeitando o direito da vitima em responder ou não às perguntas, e em relatar ou não o ocorrido, evitando fazer julgamentos e de ter atitudes preconceituosas.
3. Observar o aspecto físico geral (presença de lesões), emocional e nível de consciência. Algumas vítimas são obrigadas pelo agressor, a usar drogas ilícitas, nesse caso é necessário aguardar que cesse o efeito da droga, antes de proceder ou continuar a entrevista. Os exames (exame físico completo e ginecológico), serão realizados pelo perito. Nos casos de internamento e aborto legal, o enfermeiro deve realizar o exame físico, no momento da evolução da vítima, a cada 24h.
4. Identificar os possíveis diagnósticos e intervenções de enfermagem. Prescrever de acordo com os diagnósticos identificados, para a vítima e familiares/acompanhantes. Fazer as anotações e registo, tendo sempre presente o carácter legal deste documento. É importante letra legível, tendo o cuidado de escrever as palavras: refere, informa, narra, atribui, para que fique claro, que se está a registar o relato da vítima e não as impressões pessoais.

ABORDAGEM DA VITIMA DE AGRESSÃO SEXUAL

A relação que é estabelecida entre a vítima e os profissionais de saúde, vai ser determinante para a recolha de vestígios e para uma boa recuperação psicológica da vítima. O médico/perito, perante vítimas de crimes sexuais tem um papel muito importante, sendo relevante nos seguintes aspectos:
o Detectar e tratar lesões
o Avaliar o risco de gravidez e doenças sexualmente transmissíveis (DST)
o Colheita de amostras biológicas
o Documentar o evento

Os objectivos gerais do perito na abordagem das vítimas de crimes sexuais, assentam nos seguintes aspectos: conhecer o enquadramento jurídico, epidemiologia e principais tipos de abuso/violência sexual, identificar os principais sinais e sintomas de abuso, executar os procedimentos médicos gerais e médico-legais adequados à situação diagnosticada, garantir a segurança da vitima e encaminhar a vitima para cuidados diferenciados (médico-legais, psicológicos, sociais, etc).
Em relação aos objectivos específicos, o perito deve: assegurar a segurança da vitima, observar o estado geral e comportamento, realizar exame físico completo, executar medidas terapêuticas e/ou profilácticas, recolha de amostras, sinalização e encaminhamento da vitima.
No que diz respeito aos crimes de natureza sexual as principais referencia processuais assentam no código de processo penal, nomeadamente o art.º 159 (perícias médico legais e forenses) e art.º 131 (capacidade e dever de testemunhar).
A intervenção dos serviços médico-legais nestes crimes, reportam à lei nº 45/2004 de 19 de Agosto. No que diz respeito às perícias médico-legais realizadas no INML, a proveniência das alegadas vitimas é vasta, sendo a sua origem a seguinte: autoridade policial; sinalizadas pelos serviços hospitalares, trazidas pelos familiares, iniciativa própria e mais raramente enviadas pela APAV.
Em relação ao local da realização das perícias, 56% são realizadas no INML e 44%, são realizadas nas unidades hospitalares. Do ponto de vista estatístico a distribuição por sexo e grupo etário, indica-nos que na maior parte dos casos, as vitimas são do sexo feminino, e a maioria dos casos ocorre entre os 0 e 10 anos de idade.
Quando comparamos as vítimas de crimes contra a liberdade sexual com os crimes contra a autodeterminação sexual, verificamos que 59% das vítimas, tem idade inferior a 18 anos e 41%, tem 18 ou mais anos. Do estudo feito em 2006 por Santos, J.C., a relação entre a alegada vitima e o agressor, apresentava diversas variantes, sendo a mais comum (31% dos casos) vizinho/colega/conhecido, seguido do amigo/namorado/marido e em cerca de 20%, familiar coabitante.
Como foi referido no início do artigo, a filosofia hospitalar é a de que a violação é assunto da medicina legal, pelo que influencia o tempo decorrido entre a alegada agressão e a perícia. Na maior parte dos casos, decorre mais de 72h, o que vai influenciar a colheita de amostras biológicas.
As vítimas de abuso/violação, na maior parte das vezes não apresentam lesões traumáticas, na superfície corporal (excepto genitais e ânus), pelo que por vezes pode ser desvalorizada a agressão, que foi vitima. No que diz respeito à tipificação das lesões padrão na área genital, pode-se dividir em 2 subpopulações (idade inferior a 18 anos e idade superior a 18 anos). Na subpopulação com idade inferior a 18 anos, 11,5% apresentavam lesões traumáticas recentes sem evidência de penetração, sendo na maioria dos casos a confirmação realizada por resultados laboratoriais positivos (esperma, espermatozóides). Em relação à subpopulação com idade superior a 18 anos, 20% apresentavam sinais compatíveis com penetração vaginal recente, sendo também a maioria dos casos a confirmação com resultados laboratoriais positivos.
Embora seja um atendimento clínico, o carácter legal, não pode ser ignorado, portanto, nunca se deve afirmar ou descartar o abuso sexual, perante a vítima. Recomenda-se a presença de um profissional de enfermagem do sexo feminino, durante a consulta. É de realçar que o profissional de enfermagem do sexo masculino, tem participado no atendimento a vítimas de abuso sexual, e a sua actuação tem sido bastante elogiada, pelas mulheres atendidas.
O enfermeiro deve agir de forma imparcial, sem preconceitos, sem fazer julgamentos, e deve conhecer as implicações legais, somáticas, psicológicas e sociais do abuso sexual. Deve colaborar para que a mulher não tenha que repetir várias vezes a sua história. O enfermeiro acolhe, realiza triagem e faz encaminhamento de acordo com a avaliação do tipo de violência (criança; adolescente).

PAPEL DO ENFERMEIRO PERANTE ABUSO SEXUAL NA MULHER

Em Portugal, assim como em diversos países do mundo, a violência sexual constitui um sério problema de saúde pública, por ser uma das principais causas de morbilidade e mortalidade feminina. A violência baseada em questões de género é também uma violação dos direitos humanos.
Pode ocorrer em qualquer idade, em diferentes níveis económicos e sociais, em espaço público ou privado e em qualquer fase da vida. A mulher abusada sexualmente, quando recorre aos serviços de saúde, necessita de um acolhimento adequado, factor fundamental para a humanização dos cuidados de saúde e essencial, para que se estabeleça um relacionamento adequado, entre o profissional e a utente.
Nos Estados Unidos e Canadá, existem os programas SANE (Sexual Assault Nurse Examiner), nos quais o enfermeiro é especialista na realização do exame forense em crianças e adultos, tendo demonstrado resultados eficientes na redução do trauma decorrente da agressão sexual, na avaliação e tratamento às vítimas de abuso sexual. Assim sendo, os enfermeiros devem estar habilitados para acolher e desenvolver cuidados voltados para a recuperação física, psicológica e social, sem demonstrar atitudes e comportamentos preconceituosos, que possam interferir na adesão ao tratamento.
Os enfermeiros por actuarem 24h nos hospitais, são considerados os profissionais adequados para realizar o acolhimento da vítima. Contudo é necessário adquirir conhecimentos, sobre os aspectos legais e de assistência que envolvem a violência sexual, bem como treinar a equipa de enfermagem de forma a sensibilizar e capacitar, para o acolhimento e para oferecer conforto e segurança à mulher.

Regra geral em Portugal, quando se trata de um abuso/violação, existe a ideia implícita que se trata de um assunto que apenas diz respeito à medicina legal, no entanto esta ideia está errada. Por outro lado ainda se vive hoje com a ideia que se trata de um acto médico, que apenas poderá ser feito por médicos. Portugal, pela falta inequívoca de peritos médico-legais que existe, deve apostar nos enfermeiros para a realização de perícias de natureza sexual. A lei portuguesa estabelece que na ausência do perito médico-legal, o médico de serviço, deve assegurar a abordagem da vítima, ou profissional de saúde habilitado.
Apenas 1 em cada 6 crimes de violação, chega ao conhecimento das autoridades. As vítimas de agressão sexual têm 3 vezes mais probabilidade de sofrer depressão, e 6 vezes mais probabilidade de sofrer stress pós traumático, 13 vezes mais de se tornarem alcoólicas, e 26 vezes mais de se tornarem toxicodependentes. Apresentam 4 vezes mais probabilidade de suicídio. São dados do RAINN (Rape Abuse and Incest National Network) de 2008.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Livro de Enfermagem Forense


Dia 12 de Agosto, sairá oficialmente a 2ª edição do Livro " Forensic Nursing" da Virginia Lynch

segunda-feira, 12 de julho de 2010

sexta-feira, 9 de julho de 2010

CONFERENCIA

A Escola Superior de Enfermagem S. Francisco das Misericórdias, organizou
uma Conferencia subordinada ao tema: "Novos caminhos da Antropologia Forense
e Patologia Forense na investigação criminal a (re)descoberta de um
potencial", com a participação do Dr. Nick Passalaqua - Antropologo forense
- Department of Anthropology University of Michigan e Dr. João Pinheiro -
Patologista Forense - Instituto Nacional de Medicina Legal.
Esta Conferencia terá lugar dia 31 de Julho (9h30 as 13h) na UAL -
Universidade Autônoma e a entrada é livre.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

17º CONGRESSO DA IAFN


18th Annual Scientific Assembly
Wednesday, October 27, 2010 - Saturday, October 30, 2010

Forensic nurses help solve brutal crimes

HOUSTON (KTRK) -- More than three a day -- that's how many sexual assaults were investigated in Houston and Harris County just last year. One key to solving them is Houston's forensic nurses team. It's the first in the state.

Behind this door is a 12-year-old who was sexually assaulted. "When I get to them, their soul is just totally shattered," said Ashley Huynh, a forensic nurse.
Huynh's job is to start the healing and to gather evidence. "This is some urine; I'm going to separate the specimen so I can get the ER sample, and I can have a sample for the crime lab," she said.
If not for Huynh, the scared 12-year-old could have languished for hours in a chaotic emergency room. "You have a lot of staff that ... are sometimes a bit unsympathetic," Huynh said. "And then sometimes patients leave or they feel like nobody cares or they're ashamed."
"There's pain everywhere that you see when you see these patients, and it's not necessarily all physical," said Skip Floyd, another forensic nurse. Floyd and Huynh are part of Memorial Hermann's Sexual Assault Nurse Examiner Team, a mobile team that covers its 10 hospitals.
"They show very compassionate care. Some of these victims are injured in the hospital; they're confused; they don't want to talk to anyone, and the nurses are the first ones who speak to these patients," said Houston Police Department Officer Jennifer Landrum. And they carefully collect evidence, taking as long as they need to do a most difficult exam. "I think they're great," said a victim as she held her head down and cried. This woman was a victim of sexual assault. But she agreed to talk to us because of Huynh's kindness.
"I think it is better because they can relate to you more; they see it on a day-to-day basis," the victim said. "That patient is your whole job, and all you have to do is make sure they have everything they need, and I love that about this field," Huynh said. Then, the evidence collected is kept in a refrigerator or locked in a cabinet until it's turned over to police."Not only does it help the investigators, but it also helps in court cases because they testify as expert witnesses in the cases, which is extremely crucial to solving these crimes," Landrum said.
The forensic nurses estimate they treat about 1,500 victims a year at the 10 Memorial Hermann hospitals alone. And some, come back to say thanks."They'll say, this is how old I was, this is what had happened to me and you took care of me, and it's like, 'Wow! What a difference,'" said Jamie Ferrell, clinical manager of Forensic Nursing Serv. Ferrell, who runs the forensic nursing program, has treated three-day-old babies and victims in their 80's. She doesn't forget their pain."You do carry it," Ferrell said.
"I have several patients I'll never forget, never forget," Floyd said. "You often wonder, what became of their lives?" But these forensic nurses keep coming back to help point shattered souls toward healing."I really do feel like I make a difference," Huynh said.The forensic nurses concept is so successful Ferrell has helped set up similar programs in other cities and 11 countries.

TIPOS DE LOCAIS DO CRIME

1) LOCAL ORGANIZADO - O assassino demonstra ser organizado, e premeditado. O assassino fará tudo para evitar deixar pistas que levem à sua captura.
Caracteristicas do local:
- Crime planeado
- Corpo transportado
- Corpo visivel
- Conversação controlada
- Submissão da vitima
- Desaparecimento da arma e vestigios
- A vitima é um estranho
- O local reflecte controlo emocional
- Vitima limitada
- Os actos agressivos são feitos antes da morte

2) LOCAL DESORGANIZADO - Em geral relacionado com acções espontaneas de assaltantes assustados. Em geral as vitimas são ao acaso, porque aparecem no local sem serem esperadas. São usados por isso materiais que se encontram à mão.
Caracteristicas:
- O corpo é deixado no local da morte
- Agressão espontanea
- Vestigios ou arma presente no local
- Vitima ou localização conhecida
- Corpo deixado à vista
- Actos sexuais depois da morte
- Conversação minima
- Local do crime sujo
- Violencia súbita para a vitima

3) LOCAL MISTO - apresenta caracteristicas dos dois. Pode indicar a presença de 2 agressores ou que o agressor planeou o crime, e que foi interrompido durante o acto.

4) LOCAL ATIPICO - O local não consegue ser definido ou classificado. Pode ocorrer por exemplo, em locais onde existem corpos em decomposição.
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ANTROPOLOGIA FORENSE

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IMPRESSÕES DIGITAIS

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MUTILAÇÃO GENITAL FEMININA

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DETERMINAR A DIMENSÃO DO LOCAL DO CRIME


A regra principal é proteger e preservar o local do crime, no entanto antes de proteger o local, o mesmo deve ser identificado como tal.
O local do crime deve ser protegido, para evitar a entrada de pessoas não autorizadas e desnecessárias, de forma a que os vestigios não sejam alterados, movidos ou destruidos. Provavelmente não existe outro aspecto, que possibilite erro, como a protecção do local.
A protecção do local pode ser um simples acto como por exemplo, fechar uma porta do quarto, onde o corpo foi descoberto.
Não existe um método ou regra para estabelecer barreiras no local do crime. Quando se chega ao local do crime, a primeira responsabilidade é verificar as condições da vitima, e depois assegurar que o local está intacto.

CONFERENCIA EM ENFERMAGEM FORENSE - SUÉCIA

Nos dias 27, 28 e 29 de Maio, realizou-se na Suécia a 1ª conferencia em enfermagem forense na Europa. Contou com a presença da Enfª Virginia Lynch, e marcou um passo muito importante para a afirmação desta area da enfermagem na Europa.
Foi criado um grupo de trabalho para a implementação da IAFN na Europa. Portugal também esteve representado e vai pertencer a este grupo de trabalho.
Em breve haverá novidades.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Rastreio de resíduos de pólvora

O despiste preliminar em situação de suicídio ou homicídio efectua-se através de exame adequado à detecção de vestígios de pólvora nas mãos da vítima ou do agressor, pelo que não se deve deixar que o suspeito lave as mãos ou contacte outras pessoas. As mãos devem continuar protegidas para viabilizar a realização de exames posteriores

Teste da Parafina (ou de Gonzalez):
consiste, fundamentalmente, na utilização deste composto químico para determinação da existência de pólvora em diversos locais (em ambas as mãos, roupa), a qual se apresenta como positiva quando toma a cor azulada.

- Colocar os vestígios directamente num porta-amostras e manter em estojo, ao abrigo de contaminação, até exame em laboratório.
- Utilizar fita adesiva de dupla face, que se aplica tanto na colheita de resíduos nas mãos, como na roupa e cabelos.
Cola-se uma tira de dois centímetros num pedaço de cartão ou plástico da mesma largura da fita adesiva e guarda-se num tubo de vidro ou plástico ao abrigo de qualquer contaminação até ser utilizado na recolha de vestígios.

RELATÓRIO

RELATÓRIO deve incluir:
- Apresentação
- Comunicação (O Quê, Quando, Como…) e Deslocação
- Sumário
- Corpo
- Pessoas presentes e o que disseram relativamente ao crime
- Descrição da «cena» e identificação e exame do corpo
- Referências quanto aos vestígios recolhidos
- O abandono do local
- Conclusões
- Resultados
- Hipóteses de trabalho
- Recomendações (Propostas)
- Sugestões para investigações imediatas (sem ser ainda um planeamento operacional)
- Informações complementares (corpo para o INML; resultado do exame lofoscópico; objectos a remeter para o LPC, etc.)
- Anexos (croquis, fotografias, etc.)

RELATÓRIO

Definição:
É uma exposição escrita na qual se descrevem experiências, investigações, factos verificados mediante pesquisas ou se historia a execução de situações.
Geralmente, é acompanhado de documentos demonstrativos, tais como desenhos, croquis, gráficos e outros.
De um modo geral, podemos dizer que os relatórios são escritos com o objectivo de registar e divulgar, com carácter permanente, dados técnico-científicos recolhidos e analisados, ou para analisar.
O Relatório é apresentado numa linguagem técnica, clara, simples, concisa e correcta.

CROQUIS



Chegados a este ponto há que tomar as notas necessárias (esboço) à elaboração de Croquis e de Relatório circunstanciado.
Um croquis (palavra francesa, aportuguesada como croqui e traduzida como esboço ou rascunho) é uma reprodução gráfica, um desenho rápido, feito com o objectivo de discutir ou expressar graficamente uma situação ou ideia.
É conveniente que dele conste a definição das distâncias a que se encontram os vários elementos de interesse, por remissão a pontos fixos relacionados com a posição da vítima.
Um croquis, portanto, não exige grande precisão ou refinamento gráfico, embora deva ser feito à escala, podendo representar, por exemplo, um apartamento em termos de planta; uma sala vista de cima em termos de soalho e objectos; ou uma sala completa, com paredes e tecto rebatidos.
Por isso se diz que é um complemento da fotografia, em termos de fornecer medições e distâncias entre objectos, através de traços ou linhas que representam o conjunto em apreço.
São estes documentos, juntamente com as fotografias do local, que mais tarde permitirão a reconstituição do crime.

RECRIAÇÃO DA CENA DO CRIME

Muitas vezes impõe-se também fazer no local do crime uma breve reunião entre todos os investigadores, de modo a trazer ao conhecimento do responsável pela equipa toda a informação recolhida, em termos de prova pessoal e material.
Pode acontecer no final deste processo que não se tenha concluído por uma hipótese verosímil ou plausível, mas, sim, pela necessidade de procurar algum elemento real que, eventualmente, não tenha sido encontrado. Neste caso haverá lugar a uma nova busca ou inspecção, para localizar o vestígio ou informação necessária.

AUTÓPSIA PSICOLÓGICA

No mundo da investigação criminal, nomeadamente no campo da determinação do suicídio, falta invariavelmente o «factor determinante», isto é, o que se passava na mente da vítima na hora da morte.
É que um falecimento não deve ser classificado como suicídio até que tenha sido descartada qualquer outra possibilidade que o explique.
Autópsia Psicológica, em termos conceptuais, é a exploração retrospectiva e indirecta da personalidade e da vida de uma pessoa já falecida. Trata-se de fazer uma avaliação depois da morte, de como era a vítima em vida, uma espécie de reconstrução sociopsicológica postmorten.
Em termos de antecedente histórico do surgimento da autópsia psicológica recordamos o caso do oficial que foi vítima de homicídio às mãos da sua amante, nos anos 40 do século passado. O advogado de defesa da agressora solicitou aos peritos psiquiatras para provarem que o oficial era “anormal e perigoso”, como justificação para o gesto homicida da sua cliente.
Os peritos estudaram cartas, o diário íntimo e um livro de poemas do falecido, revisitaram a história clínica de um hospital militar onde a vítima estivera internado, podendo então estabelecer que padecia de um transtorno da personalidade particularmente centrado na sua vida sexual.
A autópsia psicológica enquanto técnica pericial surgiu nos EUA apenas nos anos 60 como uma saída para uma necessidade administrativa que pudesse definir a etiologia médico-legal das mortes duvidosas, para as quais não havia suficientes elementos para afirmar se se tratava de um suicídio ou um acidente.

Este processo, que se inicia logo após o exame à própria cena da morte nos casos penais, não pode ser realizado apenas por um perito, mas, precisa do trabalho em equipa dos criminalistas, médicos legistas e investigadores policiais, pois só assim é possível lograr uma caracterização profunda e cientificamente fundamentada da vítima.
Como se realiza então uma autópsia psicológica dentro do contexto da investigação criminal?
O principal factor neste trabalho é o processo em si mesmo, o modo de fazer as coisas, que parte do próprio lugar do facto. Não apenas os peritos em criminalística podem recolher vestígios, como também se podem levantar vestígios psicológicos que ficam impressos nos espaços que a vítima habitou e nas pessoas que com ela interactuaram. Para ambos os peritos a cena da morte emite sinais, que é preciso interpretar e descodificar. Nesse campo não podem deixar de ser levados em conta as notas, os diários, as cartas e outros documentos da vítima, que apesar de não revelarem valor aparente, são fundamentais para os investigadores, pois é muitas vezes entre eles que a está a chave do enigma da sua morte.
O segundo passo é a entrevista a pessoas que conheceram o falecido, de preferência familiares, amigos, vizinhos, companheiros de estudo, trabalho, religião, bem como relacionamentos de proximidade e acasalamento formais ou ocasionais.
É importante aclarar que a selecção das fontes de informação deve excluir suspeições provenientes de pessoas envolvidas na morte da vítima, pois o risco de «contaminação» é muito elevado.
Neste tipo de trabalho, a possibilidade de intercruzar critérios e hipóteses desde a primeira hora entre médicos legistas, criminalistas e investigadores policias, faz aumentar a eficácia desta técnica denominada autópsia psicológica., pois permite enriquecer a análise científica da vítima e das circunstâncias que rodearam a morte.
Uma vez recolhidos todos os elementos necessários para conseguir uma caracterização do caso, é conveniente a realização de uma discussão colectiva na qual participem os peritos e os investigadores policiais para possibilitar uma informação pericial em termos probabilísticos, pois trata-se aqui de uma avaliação indirecta e da formulação de conclusões que só ganham valor em termos de somatório dos elementos criminalísticos, policiológicos e médico-legais.
Como discernir através da autópsia psicológica entre suicídio, homicídio e acidente, no contexto de uma morte duvidosa, em que nem o médico-legista, nem o investigador têm suficientes elementos para decidir?
1. Valorando os factores de risco suicida, de risco hetero-agressivo ou de risco acidental.
2. Valorando o estilo de vida do morto
3. Determinando o estado mental no momento da morte
4. Estabelecendo as áreas de conflito e de motivação.
5. Desenhando o perfil de personalidade do morto
6. Determinando se existiam sinais de aviso pré-suicida.
7. Determinando se existia um estado pré-suicida.

Também como parte da investigação criminal a autópsia psicológica logra estabelecer o círculo de suspeitos nos homicídios de autor desconhecido. Ao caracterizar a vítima com os seus conflitos, motivações e estilo de vida, os psicólogos criminais oferecem aos investigadores criminais elementos de probabilidade quanto a possíveis autores. Dito de outra maneira: não só se adequam com frequência o autor e a vítima, um ao outro, como as condições de vida de ambos apresentam amiúde características complementares.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

SIGNIFICADO DOS VESTIGIOS



SANGUE NO CORPO -
  • Pode indicar se o crime foi cometido
  • Pode indicar o tipo de droga, os respectivos niveis, em que se encontram presentes
  • Permitem identificação positiva
  • Teste paternidade

RESTOS SANGUINEOS -

  • Humanos Vs não humanos
  • Identificação da droga
  • Caracteristicas de afinidade populacional
  • Reconstrução do evento, por interpretação da dispersão do sangue
  • Pode indicar armas envolvidas no caso, por transferencia de sangue

FORENSIC DEATH NURSE INVESTIGATOR



Uma das especialidades da enfermagem forense, é o FDNI, que consiste na avaliação das circunstancias da morte, em situações de morte súbita e violenta. O protocolo de actuação consiste em várias etapas, sendo uma delas a avaliação minuciosa do corpo. Assim deixo aqui algumas dicas para essa etapa:
- Ter a certeza que é descrito o que se vê, e não o que se pensa que se vê.
- Descrever a descrição geral do corpo
- Descrever roupas (estilo, cor, bolsos de fora, e outras particularidades relacionadas com a mesma)
- Descrever a localização e o aparecimento de ferimentos, contusões, etc.
- Descrever sangue: localização, padrão, direcção do fluxo, grau de coagulação
- Descrever condição, localização e extensão de: rigor mortis, livores, outras condições do corpo, indicativo do tempo de morte.
- Apontar temperatura atmosférica, mno local ou temperatura da H2O, em caos de corpos retirados dentro dela.
Ao mover o corpo deve ter.-se em atenção aos seguintes aspectos:
- Não mover o corpo antes de fotografar, examinar e avaliar
- Mover ou deixar o corpo a uma distancia mais curta possivél.
- NÃO CONTAMINAR O LOCAL
- O corpo deve ser colocados em zona limpa, que deve ser protegida
- Colocar sacos de papel nas mãos

AUTO-MUTILAÇÕES


Auto mutilação, tambem conhecido como auto lesão, é uma agressão delberada do corpo, sem qualquer intenção de cometer suicidio. Alguns ancaram a auto mutilação como uma tentativa de suicidio falhada.
Os instrumentos usados para infligir auto-lesões incluem: unhas, facas, lâminas, tesouras, pedaços de vidro e espelhos, cigarros, metal quente. Estes objectos são diferentes, do que são usados para suicidio, que podem incluir armas, sacos de plástico e saltar de estruturas altas.
Os auto mutiladores são cuidadosos, aprendem como executar lesões em si próprios de forma segura, sem necessidade de assistencia médica emergente.
Os adolescentes que se automutilam, em geral na escola não participam em actividades onde tenham que expor partes do corpo.
Sinais de alerta:
  1. Cicatrizes antigas e recentes de lesões auto infligidas
  2. Objectos como facas, navalhas ou isqueiros, (presença destes sem qualquer justificação)
  3. Desculpas frequentes para as lesões
  4. Sangue, cortes e queimaduras nas roupas
  5. Resposat defensiva quando confrontado com a possibilidade de auto mutilação

Oa auto mutiladores infligem as lesões em locais que não são visiveis e que são tapados com a roupa. As zonas que são mais comuns para lesão são: torax, braços, coxas, e algumas zonas onde se possa confundir com violencia doméstica.

Auto mutilação é um mecanismo repetitivo que o individuo usa para lidar com as emoções. O trabalho do enfermeiro forense é essencial, e a sua intervenção inclui triagem para identificar os auto mutiladores, que requerem intervenção médica imediata.É importante que o enfermeiro desenvolva um nivel de confiança com os doentes, para elaborar uma história clinica. Para ganhar essa confiança, deve tratar do assunto com privacidade, e dar segurança ao mesmo. Outro aspecto dos cuidados, envolve a documentação fotográfica da lesão e o uso de diagramas anatómicos